A ameaça da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em 2025 levou o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) a reforçar normas de biossegurança para todas as aves no Brasil, incluindo os pombos-correio. Como criador oficial e associado da FCB-BR, é fundamental conhecer e adotar essas diretrizes para proteger seu plantel e o esporte columbófilo. Neste artigo, apresentamos um guia prático de biossegurança baseado nas normas do MAPA – como a Instrução Normativa nº 5/2018 – e nas medidas emergenciais atuais de prevenção à gripe aviária.
Normas Sanitárias do MAPA em 2025: O Que Você Precisa Saber
O MAPA publicou a Portaria nº 782/2025 com novas regras para prevenir a entrada e disseminação da gripe aviária no país. As principais determinações incluem: suspensão por 180 dias de eventos com aglomeração de aves (feiras, exposições, torneios etc.), salvo autorização expressa do serviço veterinário estadual com plano de biossegurança aprovado. Além disso, fica proibida a criação de aves ao ar livre sem telas superiores de proteção no mesmo período, nos estabelecimentos registrados conforme a legislação vigente. Essas regras se aplicam a todas as espécies de aves, inclusive aos pombos-correio, e visam conter a IAAP em território nacional. Em outras palavras, mesmo os columbófilos devem adequar suas rotinas para atender a essas exigências legais, evitando quaisquer atividades que possam expor suas aves ao vírus.
Vale lembrar que a Instrução Normativa nº 5/2018 do MAPA estabeleceu o sistema de rastreabilidade oficial dos pombos-correio, exigindo anilhas com numeração padronizada (prefixo 076 + 12 dígitos). Essa identificação única garante controle sobre cada ave durante toda a vida e facilita o acompanhamento sanitário. Estar em conformidade com a IN 5/2018 – ou seja, usar anilhas oficiais FCB-BR/FCI em todos os seus pombos – não é apenas uma exigência burocrática, mas também uma importante medida de biossegurança e transparência. Com anilhas oficiais, suas aves entram no sistema de rastreamento do MAPA, o que ajuda na rápida ação em caso de surtos de doenças e comprova a procedência sanitária do plantel. Em resumo, seguir as normas do MAPA, desde a identificação individual até as restrições temporárias, é o primeiro passo para proteger seus pombos da gripe aviária.
Medidas de Biossegurança no Pombal: Prevenção Diária
Adotar práticas rigorosas de biossegurança no dia a dia do seu pombal é crucial para manter os pombos saudáveis. A seguir, listamos orientações práticas baseadas nas diretrizes oficiais e recomendações veterinárias:
- Isolamento e barreiras físicas: Instale telas de malha fina (até 2 cm) cobrindo toda a área de voo dos pombos. Essa tela superior impede o contato direto com aves silvestres que possam estar infectadas. Certifique-se de que não haja frestas por onde pássaros pequenos possam entrar. Se possível, crie um “vestíbulo” de entrada no pombal (dupla porta), de forma que você possa entrar sem que as aves tenham acesso direto ao exterior, minimizando a chance de escaparem ou de algo de fora entrar.
- Higiene reforçada: Intensifique a limpeza do pombal. Faça uma lavagem completa semanal com água e detergente neutro, removendo todas as sujeiras e resíduos. Após lavar, desinfete as superfícies, poleiros e acessórios com um desinfetante apropriado (como hipoclorito de sódio diluído). Mantenha comedouros e bebedouros sempre limpos, lavando-os diariamente se possível, e evite deixar sobras de ração expostas – isso poderia atrair aves silvestres ou pragas. Troque a cama (forração do piso) com frequência para evitar acúmulo de fezes. Lembre-se de usar equipamentos de proteção ao limpar: luvas, máscara e um calçado exclusivo para uso dentro do pombal, reduzindo o risco de trazer contaminantes de fora.
- Controle de acesso ao pombal: Restringir quem entra em contato com seus pombos é uma medida simples e eficaz. Idealmente, somente o criador e/ou o tratador responsável devem entrar no pomba. Evite visitas desnecessárias de outros criadores ou curiosos durante este período crítico. Caso seja indispensável a entrada de alguém, exija o uso de proteção (roupa limpa, sapatos desinfetados) e supervisione todo o tempo. Tenha um pedilúvio (tapete ou bandeja com desinfetante) na entrada, para que qualquer pessoa molhe as solas dos sapatos antes de entrar. Desinfete caixas de transporte, gaiolas e utensílios sempre antes e depois do uso, especialmente se eles saíram do pombal. Nunca compartilhe objetos (bebedouros, por exemplo) entre pombais de criadores diferentes sem antes esterilizar.
- Alimentação e água seguras: Guarde a ração dos pombos em recipientes bem fechados, fora do alcance de roedores e aves silvestres. Quando for alimentar, ofereça a quantidade que os pombos consomem em pouco tempo, evitando que sobra atraia pássaros de fora. Não exponha alimentos ou água em áreas acessíveis a aves silvestres – por exemplo, não deixe bebedouros no pátio do lado de fora do pombal. Dê preferência a bebedouros internos. A água deve ser fresca e limpa; troque diariamente e, se possível, use água tratada (fervida ou clorada levemente) para garantir ausência de patógenos.
- Observação constante e ação rápida: Fique atento diariamente à saúde dos seus pombos. Observe o comportamento de cada ave durante as alimentações e os voos: falta de apetite, apatia, penas arrepiadas, secreções nos olhos ou narinas, dificuldade respiratória ou qualquer sinal fora do comum deve acender o alerta. Tenha o hábito de registrar em um caderno as datas de limpeza, eventos de treinamento e qualquer sintoma anormal observado – esse histórico ajuda a notar padrões e será útil se você precisar consultar um veterinário. Em caso de suspeita de doença, isole imediatamente a ave afetada em um local separado, longe dos outros pombos. Providencie avaliação veterinária o quanto antes para diagnóstico. Não medique por conta própria doenças graves sem orientação profissional, pois além de mascarar sintomas, pode atrasar medidas de controle sanitário oficiais. Lembre-se de que a influenza aviária é de notificação obrigatória: se houver suspeita fundada ou caso confirmado em seu plantel, é necessário comunicar os serviços veterinários oficiais imediatamente para as ações cabíveis.
O Papel do Criador Oficial e da FCB-BR
Ser um criador oficial filiado à FCB-BR traz responsabilidades adicionais, mas também suporte importante. A FCB-BR está alinhada às diretrizes do MAPA e orienta todos os seus associados a cumprir rigorosamente essas determinações legais, colaborando para conter riscos sanitários que possam comprometer o bem-estar animal e a avicultura nacional. Isso significa que a Federação apoia as medidas governamentais de suspensão de eventos e restrição de manejo, ao mesmo tempo em que fornece recursos aos criadores para atravessar este período. Por exemplo, a FCB disponibiliza modelos de Plano de Biosseguridade que serão exigidos para realização de eventos columbófilos assim que haja flexibilização. Os clubes e criadores poderão solicitar esse modelo à FCB por meio do contato institucional, facilitando a elaboração de seus protocolos sanitários específicos.
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